Arranjos de flores. Música. Convidados. Alianças.
Enquanto o padre narrava a passagem bíblica da carta de Paulo ao povo de Coríntios, no fundo da igreja, com pesadas sacolas do hipermercado, Stela lembra do dia de seu quase casamento. Estava linda no vestido de jersei que pertencera a avó e que após uma reforma ficara mais bonito que todos os outros vestidos vistos nas lojas percorridas.
Sabia que seu pai era contra seu casamento. Ainda mais depois da festa de noivado, quando o pai,aos berros, declarou que preferia morrer a vê-la casada com aquele cafajeste. Passado esse episódio, o pai nada mais falou, o que a fez pensar que ele ao menos se conformara.
Quando chegou na porta da igreja, onde o pai a estaria esperando para conduzi-la ao altar, notou a cara de espanto da mãe.
- Mãe, cadê o pai?
A resposta não foi da mãe. A ambulância saindo pela rua lateral era a confirmação do desejo do pai. Preferia estar morto.
Não casou oficialmente, mas depois de 20 anos de convivência, hoje ela sabe que o pai tinha razão.