Quando escrevo, escrevo para que o mundo leia. Muita gente me pergunta porque não mando para alguém que entenda do assunto. Pois é, vamos devagar. Acho que preciso aperfeiçoar muito minha forma de escrita. Gosto do que escrevo e acho que isso já um bom começo. Meu marido também gosta. Minhas colegas de trabalho também. Meu amigo Júlio também.
Para melhorar preciso que me digam se está bom, se pode melhorar, se tem erros de escrita (não estou à salvo por ter me formado em Letras), se poderia ter outro final, ou outro título.
Obrigada, nunca fui tão feliz quanto agora, quando deixo as ideias antes perdidas em minha cabeça, tomarem forma no papel.
Ju
Sei lá o que vou escrever aqui, eu nunca sei o que vem depois de agora!
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Exorcismo
Amigas de muitos anos, elas resolveram viajar depois que uma delas rompeu um relacionamento longo.
- Essa viagem chegou na hora certa, estou mesmo precisando tomar outros ares.
- Terminar um relacionamento nunca é fácil, ainda mais longo. Tu vai ver, vamos encher a cara, beijar na boca e na volta tu não vai nem lembrar quem era o tal de Zeca.
- Tomara.
Sentada no bar do hotel olhando para o copo de vinho vazio ela lembrava do íncio da viagem e das promessas feitas. Bebera, mas não beijara. E o pior, o que mais tinha feito era lembrar do Zeca.
- Ritual do exorcismo do amor. É isso. Li em uma revista e tu vai fazer.
- Como é?
- Escreve uma carta para ele, dizendo tudo que queria dizer e não disse. Coloca em uma garrafa e joga no mar.
- Nossa! Que coisa mais louca.
- Vai tentar?
- Vou. Agora vai para o teu quarto que eu vou para o meu. Quero dormir.
Ao entrar no quarto e avistar sobre o frigobar uma Bic, as palavras começaram a surgir em sua mente.
" Zeca,
Tem tantas coisas que eu não te disse, mas vamos lá, afinal estou te exorcisando de vez.
Obrigada por tudo, pela felicidade que sentimos durante um bom tempo, pelas noites de amor e desejos, pelo nosso filho que herdou teu dom de me fazer sorrir, por ter me ajudado a pagar a faculdade e por tudo de bom que vivemos nesses 12 anos.
Eu sei que nossa discussão não permitiu que eu agradecesse, mas é por isso que estou escrevendo.
Ah! Ainda te amo, mas acho que você já fez o exorcismo. Tive certeza disso quando te vi com aquela loira na academia.
Beijos da sempre sua,
B."
No café da manhã do dia seguinte:
- E aí fez?
- Ahan.
- E deu certo?
- Não sei, mas aquele moreno na outra mesa não para de me olhar.
- Essa viagem chegou na hora certa, estou mesmo precisando tomar outros ares.
- Terminar um relacionamento nunca é fácil, ainda mais longo. Tu vai ver, vamos encher a cara, beijar na boca e na volta tu não vai nem lembrar quem era o tal de Zeca.
- Tomara.
Sentada no bar do hotel olhando para o copo de vinho vazio ela lembrava do íncio da viagem e das promessas feitas. Bebera, mas não beijara. E o pior, o que mais tinha feito era lembrar do Zeca.
- Ritual do exorcismo do amor. É isso. Li em uma revista e tu vai fazer.
- Como é?
- Escreve uma carta para ele, dizendo tudo que queria dizer e não disse. Coloca em uma garrafa e joga no mar.
- Nossa! Que coisa mais louca.
- Vai tentar?
- Vou. Agora vai para o teu quarto que eu vou para o meu. Quero dormir.
Ao entrar no quarto e avistar sobre o frigobar uma Bic, as palavras começaram a surgir em sua mente.
" Zeca,
Tem tantas coisas que eu não te disse, mas vamos lá, afinal estou te exorcisando de vez.
Obrigada por tudo, pela felicidade que sentimos durante um bom tempo, pelas noites de amor e desejos, pelo nosso filho que herdou teu dom de me fazer sorrir, por ter me ajudado a pagar a faculdade e por tudo de bom que vivemos nesses 12 anos.
Eu sei que nossa discussão não permitiu que eu agradecesse, mas é por isso que estou escrevendo.
Ah! Ainda te amo, mas acho que você já fez o exorcismo. Tive certeza disso quando te vi com aquela loira na academia.
Beijos da sempre sua,
B."
No café da manhã do dia seguinte:
- E aí fez?
- Ahan.
- E deu certo?
- Não sei, mas aquele moreno na outra mesa não para de me olhar.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Olhos negros
Dentro daqueles olhos não existia nada de bom, somente dor, solidão e maldade.
Apesar da fama de sua família no bairro ele tentava escapar daquela sina que o perseguia. Todos os homens de sua família eram assassinos. Uns por dinheiro, outros por maldade mesmo. O povo dizia que eles gostavam que a vítima os olhasse bem nos olhos na hora da morte.
Mas com ele não. Queria escapar disso tudo.
Tudo ia bem até encontrar aquela professora da 4ª série que o olhava com desprezo. Percebia que ela não gostava dele. Um dia ela saiu da sala aos prantos gritando:
- Pare de me olhar com estes olhos!
Nunca mais levantara os olhos para olhá-la. Até aquela noite.
Sabia que haveria reunião de pais na escola. Esperou terminar e foi até lá. Queria dizer a ela que tudo não passava de um mal entendido, que nunca pensou em nada de ruim em relação a ela. Tinha boas intenções, mas destas o inferno está cheio.
Quando se aproximou do carro ela começou a gritar. Com medo ele fechou sua boca. Ficou olhando para os olhos da professora até que ficaram imóveis, parados.
Desde aquela noite não conseguiu mais parar.
Hoje, depois de tanto tempo, ele olha para a barriga da mulher grávida e reza para que seja uma menina.
Apesar da fama de sua família no bairro ele tentava escapar daquela sina que o perseguia. Todos os homens de sua família eram assassinos. Uns por dinheiro, outros por maldade mesmo. O povo dizia que eles gostavam que a vítima os olhasse bem nos olhos na hora da morte.
Mas com ele não. Queria escapar disso tudo.
Tudo ia bem até encontrar aquela professora da 4ª série que o olhava com desprezo. Percebia que ela não gostava dele. Um dia ela saiu da sala aos prantos gritando:
- Pare de me olhar com estes olhos!
Nunca mais levantara os olhos para olhá-la. Até aquela noite.
Sabia que haveria reunião de pais na escola. Esperou terminar e foi até lá. Queria dizer a ela que tudo não passava de um mal entendido, que nunca pensou em nada de ruim em relação a ela. Tinha boas intenções, mas destas o inferno está cheio.
Quando se aproximou do carro ela começou a gritar. Com medo ele fechou sua boca. Ficou olhando para os olhos da professora até que ficaram imóveis, parados.
Desde aquela noite não conseguiu mais parar.
Hoje, depois de tanto tempo, ele olha para a barriga da mulher grávida e reza para que seja uma menina.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Loucura
- Verinha louca! Verinha louca!
No fundo de sua memória ainda ecoa o grito das crianças na escola.
Quando sua mãe foi internada em um sanatório, Verinha ficou com uma tia velha que nunca tivera filhos e que, por isso mesmo, não entendia como a infância funcionava.
Verinha nunca podia nada. Nunca dormir na casa de uma coleguinha(mesmo porque nunca fora convidada), nunca tomar um sorvete na esquina. Nunca ser o que era: criança.
Cresceu cuidando da tia que, após adquirir uma doença degenerativa, definhou até o último suspiro.
Verinha não lembra exatamente o que aconteceu depois da morte da tia. Agora caminhando pelas ruas da cidade, perdida entre carros e viadutos, ainda escuta:
- Verinha louca! Verinha louca!
Enfim entende o que aconteceu com sua mãe.
No fundo de sua memória ainda ecoa o grito das crianças na escola.
Quando sua mãe foi internada em um sanatório, Verinha ficou com uma tia velha que nunca tivera filhos e que, por isso mesmo, não entendia como a infância funcionava.
Verinha nunca podia nada. Nunca dormir na casa de uma coleguinha(mesmo porque nunca fora convidada), nunca tomar um sorvete na esquina. Nunca ser o que era: criança.
Cresceu cuidando da tia que, após adquirir uma doença degenerativa, definhou até o último suspiro.
Verinha não lembra exatamente o que aconteceu depois da morte da tia. Agora caminhando pelas ruas da cidade, perdida entre carros e viadutos, ainda escuta:
- Verinha louca! Verinha louca!
Enfim entende o que aconteceu com sua mãe.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
O ingazeiro
O cheiro do ingazeiro foi suficiente para Marcelo lembrar-se da infância. Um tempo doce em que o vazio de sua casa contrastava com alegria que vinha da rua, repleta de amigos e (felicidade) sorrisos.
Subir na árvore, pegar o ingá. Sentir o gosto. Dividir com os amigos, mas guardar sempre o melhor.
Olhar as meninas com admiração. Como podiam ser tão coloridas?
Ao ver cair o pé de ingá, desligou a moto-serra e disse ao patrão: " terminei".
Subir na árvore, pegar o ingá. Sentir o gosto. Dividir com os amigos, mas guardar sempre o melhor.
Olhar as meninas com admiração. Como podiam ser tão coloridas?
Ao ver cair o pé de ingá, desligou a moto-serra e disse ao patrão: " terminei".
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
O tempo
Ao acordar viu uma moça. Pelo cheiro percebeu que estava em um hospital.
Lembrou do acidente. Naquele dia havia deixado a filha na escola. O tempo havia passado muito rápido e ela já ensaiava os primeiros passos. Quem será que a buscou?
Quem era aquela moça com ar juvenil que a olhava com espanto num meio sorriso com pranto? Não era enfermeira, pois não usava roupa branca, mas sim jeans e camiseta.
Quando o médico entrou decidiu falar e então percebeu que sua voz soara diferente.
“Eu... estou com sede...”. Foi o que conseguiu dizer.
A moça estendendo-lhe um copo de água disse:
“Toma mãe".
Lembrou do acidente. Naquele dia havia deixado a filha na escola. O tempo havia passado muito rápido e ela já ensaiava os primeiros passos. Quem será que a buscou?
Quem era aquela moça com ar juvenil que a olhava com espanto num meio sorriso com pranto? Não era enfermeira, pois não usava roupa branca, mas sim jeans e camiseta.
Quando o médico entrou decidiu falar e então percebeu que sua voz soara diferente.
“Eu... estou com sede...”. Foi o que conseguiu dizer.
A moça estendendo-lhe um copo de água disse:
“Toma mãe".
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Encontros
No auge de seus 30 anos, Márcia se sentia feliz voltando da entrevista que lhe daria o cargo dos seus sonhos.
Ao entrar no elevador cumprimentou discretamente o homem que já se encontrava lá. Como toda mulher de 30 anos se pôs a analisar o sujeito. Não parecia muito novo. Baixo, magro e concentrado. Longe de um deus grego.
Um leve tremor e a luz apagou. O elevador parara no 5º andar.
Ao mesmo tempo os dois se dirigiram ao botão do elevador. Desculpas de ambos os lados.
Uma voz ao fundo avisa que a assistência técnica vai demorar.
Os dois sentam, evitando encostar um no outro.
- Quente aqui não? - Ele tenta puxar papo.
- É. - Responde Márcia monossilábica.
- Qual seu nome? - Arrisca ele na busca de uma conversa que encurte o tempo perdido.
- Márcia.
- Bonito nome.
Algum tempo depois sentados no avião rumo à lua de mel, ambos relembram o 1º encontro.
Ao entrar no elevador cumprimentou discretamente o homem que já se encontrava lá. Como toda mulher de 30 anos se pôs a analisar o sujeito. Não parecia muito novo. Baixo, magro e concentrado. Longe de um deus grego.
Um leve tremor e a luz apagou. O elevador parara no 5º andar.
Ao mesmo tempo os dois se dirigiram ao botão do elevador. Desculpas de ambos os lados.
Uma voz ao fundo avisa que a assistência técnica vai demorar.
Os dois sentam, evitando encostar um no outro.
- Quente aqui não? - Ele tenta puxar papo.
- É. - Responde Márcia monossilábica.
- Qual seu nome? - Arrisca ele na busca de uma conversa que encurte o tempo perdido.
- Márcia.
- Bonito nome.
Algum tempo depois sentados no avião rumo à lua de mel, ambos relembram o 1º encontro.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Lencóis
As chamas curtas daquela pequena fogueira poderiam ser apagadas pelo tanto de lágrimas que ela já chorara naquela noite.
Queimar as lembranças daqueles anos era como apagar o passado. Era isso que ela desejava. Apagar tudo que vivera. As viagens, as festas. Tudo.
A traição como final era inevitável. Anos de convivência harmoniosa. Um casal apaixonado aos olhos dos outros. Mas os lençóis eram testemunhas silenciosas de noites mornas.
Ela também queria mais, porém contentava-se com músicas românticas e finais de novelas.
Ele não. As machas no colarinho e o perfume adocicado o denunciaram.
Agora os lençóis são frios e molhados pelas lágrimas de solidão.
Queimar as lembranças daqueles anos era como apagar o passado. Era isso que ela desejava. Apagar tudo que vivera. As viagens, as festas. Tudo.
A traição como final era inevitável. Anos de convivência harmoniosa. Um casal apaixonado aos olhos dos outros. Mas os lençóis eram testemunhas silenciosas de noites mornas.
Ela também queria mais, porém contentava-se com músicas românticas e finais de novelas.
Ele não. As machas no colarinho e o perfume adocicado o denunciaram.
Agora os lençóis são frios e molhados pelas lágrimas de solidão.
domingo, 4 de outubro de 2009
A caixinha
Marcos parado em frente a ela esperava pelo rosto se abrindo num sorriso.
Quando comprara a aliança só pensava no rosto de Gisele.
O tempo de namoro, o noivado que seria comemorado no Natal.Tudo isso em 30 segundos.
Gisele olhava pensativa para a caixinha. Ali dentro estava o futuro.
Abriu. Sorriu.
Otávio suspirou ao ver o sorriso aguardado.
Fechou.
Com olhos brilhantes de crueldade ela disse: " Não te amo mais".
Contos...
Diga ao povo que escrevo!
Na verdade não sei bem o porquê de eu ter voltado a escrever. O que sei é que o Rafa não deve estar gostando muito de me ver no computador em boa parte do meu pouco tempo livre.
Mas é que voltou e com tudo.
Então a partir de hoje vou publicar alguns contos. Talvez não todos os dias, pois acho que minha inspiração e meu tempo não permitiriam. Mas às vezes.
Beijos a todos que me incentivaram de alguma maneira.
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