Ela nem sabia mais a quanto tempo aquilo vinha acontecendo. Eram olhares cúmplices, quase apaixonados. Em alguns momentos ela sentia-se quase uma presa prestes a ser atacada.Mas logo a conversa era cortada por mais uma piada de um amigo engraçadinho.
Eram assim os encontros daqueles casais há muitos anos.
Desde sempre Silvia soube que os olhares de Márcio significavam muito mais que interesse sobre o assunto do qual ela falava. E quando os olhos dos dois se cruzavam...alguém tinha que fugir, pois caso contrário ambos colocariam seus casamentos a perder.
Nas últimas vezes que se viram tudo estava se intensificando, Silvia até tentava fugir dos encontros de amigos, fingia uma dor de cabeça ou inventava uma hora extra no trabalho. Naquela sexta-feira o grupo iria se reunir num barzinho novo que abrira na cidade. Antes de ir Silvia avisou ao marido que passaria no shopping para comprar um presente para sua mãe que estaria de aniversário nos próximos dias.
Ao chegar ao estacionamento, perdeu algum tempo calçando os sapatos, pois não costuma dirigir com salto alto. Ao tentar sair do carro foi empurrada de volta. Era Marcio colocando em prática tudo que havia sido imaginado durante aqueles anos de uma fingida amizade morna.
Duas horas depois, os dois evitavam se olhar enquanto os amigos degustavam um vinho chileno.