quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Olhos negros

Dentro daqueles olhos não existia nada de bom, somente dor, solidão e maldade.
Apesar da fama de sua família no bairro ele tentava escapar daquela sina que o perseguia. Todos os homens de sua família eram assassinos. Uns por dinheiro, outros por maldade mesmo. O povo dizia que eles gostavam que a vítima os olhasse bem nos olhos na hora da morte.
Mas com ele não. Queria escapar disso tudo.
Tudo ia bem até encontrar aquela professora da 4ª série que o olhava com desprezo. Percebia que ela não gostava dele. Um dia ela saiu da sala aos prantos gritando:

- Pare de me olhar com estes olhos!

Nunca mais levantara os olhos para olhá-la. Até aquela noite.
Sabia que haveria reunião de pais na escola. Esperou terminar e foi até lá. Queria dizer a ela que tudo não passava de um mal entendido, que nunca pensou em nada de ruim em relação a ela. Tinha boas intenções, mas destas o inferno está cheio.
Quando se aproximou do carro ela começou a gritar. Com medo ele fechou sua boca. Ficou olhando para os olhos da professora até que ficaram imóveis, parados.
Desde aquela noite não conseguiu mais parar.
Hoje, depois de tanto tempo, ele olha para a barriga da mulher grávida e reza para que seja uma menina.

3 comentários:

Juliana Bohn disse...

Não sou psicopata, tá? Amei esse conto que foi construído com base em muitas coisas que aconteceram e foram vistas em um dia só.

Unknown disse...

Muito bons esses mais recentes. Tô adorando o blog.

Parabéns!

Rafael Bernardes disse...

Esse é o mais inteligente. Pode publicar no livro.