Sei lá o que vou escrever aqui, eu nunca sei o que vem depois de agora!
sábado, 21 de abril de 2012
Gosto de sabão em pó
Já era tarde quando Paulo chegou em casa. Chave atrás da porta, sapato ao lado do sofá, afago no gato antes de entrar no banho.
Tirando a roupa ele pensava no quanto custava chegar em casa todos os dias. Os filhos já adolescentes viviam em seus próprios mundos, enquecendo-se por completo do pai herói que ele ja fora um dia.
Os móveis cansados de seus usos pareceiam pessoas idosas já em seus últimos suspiros. O sofá já tinha o formato do corpo de cada morador. Cada um tinha seu lugar, tudo tinha seu lugar.
A esposa com seu cheiro cansado de sabão em pó. Tudo nela cheirava a sabão em pó...deixou de querer seus beijos quando passou a sentir nele um gosto estranho. Nunca experimentara sabão em pó,mas o beijo da esposa parecia ter este gosto...
Indo para cama nem precisava acender a luz, era só guiar-se pelos móveis e tapetes sempre inertes na mesma posição.
Lá ia ele, deitar na cama e sentir mais uma vez aquele cheiro...deitou-se, mas nada sentiu. Sentou-se, apalpou a cama procurando aquele corpo no qual ele não tocava há séculos...
Acendeu a luz e encontrou um papel, na verdade uma nota fiscal do mercado que a esposa costumava ir. No verso um bilhete dizia:
"Paulo, estou indo embora. Conheci uma pessoa muito especial. O nome dele é Vanderlei e trabalha como caixa no supermercado. Sinto muito, mas ele me conquistou assim que elogiou meu cheiro que você tanto detestava. Adeus. "
Passados alguns meses, sentado em seu lugar do sofá, Paulo lembra com saudade daquele cheiro que suas roupas já não possuem e pensa em ir ao mercado onde Vanderlei trabalha para comprar sabão em pó.
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2 comentários:
Adorei!quem sabe eu volto a escrever no meu... Beijão!
Joice
Que bom, já me sinto feliz por alguém lê-lo...vamos nos seguir! Beijos...
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