- Verinha louca! Verinha louca!
No fundo de sua memória ainda ecoa o grito das crianças na escola.
Quando sua mãe foi internada em um sanatório, Verinha ficou com uma tia velha que nunca tivera filhos e que, por isso mesmo, não entendia como a infância funcionava.
Verinha nunca podia nada. Nunca dormir na casa de uma coleguinha(mesmo porque nunca fora convidada), nunca tomar um sorvete na esquina. Nunca ser o que era: criança.
Cresceu cuidando da tia que, após adquirir uma doença degenerativa, definhou até o último suspiro.
Verinha não lembra exatamente o que aconteceu depois da morte da tia. Agora caminhando pelas ruas da cidade, perdida entre carros e viadutos, ainda escuta:
- Verinha louca! Verinha louca!
Enfim entende o que aconteceu com sua mãe.
2 comentários:
Eu gosto muito desse conto. Na verdade acho-o o melhor que já escrevi. A forma como a vida encaminha Verinha para o mesmo destino da mãe é verídica e cruel.
Sério, acho que faltou alguma coisa.
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